quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Como formar uma opinião própria sobre quase tudo


Corajosa, Sábia e Persistente
Quem não gostava de ter uma opinião assim, seja a falar sobre futebol com os amigos ou sobre economia num debate sobre a globalização? Eu não me importava nada. No entanto, como descreveríamos as opiniões de cada um? Podem ser muita coisa, desde superficiais a conhecedoras, tímidas a destemidas, desafiantes e inovadoras a comuns e aborrecidas... Mas uma coisa é certa: ter opinião própria é bom! E expressá-la na altura certa ainda melhor. Aqui ficam algumas dicas que, na minha opinião (vejam bem como tenho uma), são capazes de formar boas opiniões sobre os mais variados tópicos:


1. Saber de nós e do resto do mundo
As coisas que vemos passar-se à nossa volta não nos deixam indiferentes. Eu fico triste se sei que houve um massacre na Noruega, indignado perante um tiroteio a um grupo de mineiros na África do Sul, contente perante a notícia de que uma empresa portuguesa está a afirmar-se no mercado internacional. Estas emoções são faíscas. Basta aproximar-lhes a chama da palavra e… BOOM! Temos uma opinião.
E se há uns anos atrás era difícil ter uma opinião sobre o que se passava na China, hoje não é! Basta instalar uma app de notícias no smartphone, ligar a rádio quando se está no trânsito ou ver o telejornal em casa, para ficarmos com uma ideia do se passa pelo mundo fora. “Mas isso é chato!”. Pode ser que sim, mas vai saber bem estar a discutir um tema sobre o qual vimos uma notícia ontem à noite.

2. Ler, ver e ouvir coisas que valham a pena      
Um bom livro é um poço de conhecimento e um excelente construtor de opiniões. Felizmente, há livros sobre quase tudo, por isso basta escolher um tema para aprofundar e ler um livro sobre o mesmo. Faltam-te ideias? Aqui ficam 5 sugestões minhas:
Romance recente

Romance clássico
Religião
História do séc.XX
Globalização/Economia

E se ler livros ajuda a formar uma opinião própria, também o faz ouvir música boa ou ver filmes de qualidade. Visitar o site imdb e dar uma vista de olhos pela lista dos 100 melhores filmes de sempre é capaz de ser um bom ponto de partida se queremos conhecer e poder falar sobre os clássicos do cinema.

3. Prestar atenção ao que os pros pensam
Ouvir o prof. Marcelo Rebelo de Sousa domingo à noite na tvi, ou ir a uma conferência onde o Paul Krugman vai falar sobre economia, são apenas alguns exemplos de coisas que podemos fazer, se pretendemos aprender mais sobre a área que eles dominam. Ouvir as opiniões dos outros pode ser bastante produtivo se queremos formar a nossa. Não sugiro que se adote os pensamentos de outras pessoas (isso seria a maneira preguiçosa, não inteligente, de formar uma opinião – fica para a próxima semana), mas antes que os utilizemos como bases para os nossos! Não vos soa bem a frase (fictícia): “O Paul Krugman disse no outro dia que a solução para a crise de Portugal passa por baixar o salário mínimo. Eu acho que ele está certo em dizer que … mas podia ter sido mais claro a falar de …”. Deixo-vos a imagem de um site com conversas bem interessantes, onde só os pros de um determinado tema falam, assim como uma das TED talks que acho ser muito boa
 

 




quarta-feira, 22 de agosto de 2012

A formar Doutores Palhaços


Quantas universidades em Portugal se dão ao luxo de formar Doutores Palhaços? Eu não conheço nenhuma, mas no outro dia li um artigo sobre a Organização Nariz Vermelho (ONV), onde aparecia, despudoradamente e sem medos, a seguinte frase (dita pelo administrador da Fundação EDP): “O apoio concedido pela Fundação EDP à ONV destina-se essencialmente à formação de mais palhaços”. E quem são eles? Artistas profissionais que trabalham nos serviços pediátricos de certos hospitais, sempre de nariz vermelho posto, com o principal objetivo de espalhar sorrisos pelas crianças em dificuldades. Esta organização tem o desafio de criar uma imagem criativa e alegre, mas ao mesmo tempo capaz de refletir a sua faceta responsável e profissional, própria de quem sabe de fazer um bom trabalho. Mas esperem lá, isto não vos soa a um bom desafio para toda a gente?


Mete o nariz pela tua causa
E que tal se fôssemos capazes de ir mais vezes com o “Nariz Vermelho” posto para todo o lado? Se conseguíssemos fazer o nosso trabalho de forma séria e capaz, mas deixando um sorriso ou uma simples sensação de bem-estar nas pessoas com quem nos cruzamos? Eu diria que temos aqui uma boa causa. E se não estás convencido quanto aos benefícios que isto traria, seja no trabalho ou nos estudos, pensa mais um bocadinho:
  •         A boa disposição é produtiva! Pessoas alegres e que saibam fintar com humor os problemas, vão resolvê-los mais rapidamente que os macambúzios.
  •      Qualquer pessoa normal gosta de ver as outras à sua volta felizes, bem consigo mesmas e com o resto do Mundo. Pôr os outros alegres é o primeiro passo para que nós também o fiquemos. Será egoísmo? Acho que não, é simplesmente a forma como funcionamos.


Economistas ou médicos, estudantes ou funcionários públicos, todos conseguimos ser Doutores Palhaços no nosso sítio de trabalho, quando é isso mesmo que é preciso. Basta querer.


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Decidir em Vez de Tentar Controlar

Em qualquer dia das nossas vidas, a partir do momento em que acordamos somos chamados a fazer uma coisa importantíssima: tomar decisões. Se nos levantamos assim que ouvimos o despertador, ou se ficamos a enrolar até ao limite é uma opção que cabe a cada um tomar. Nesta, como em muitas outras situações, seja em casa, no trabalho ou com amigos, somos chamados a escolher entre alternativas diferentes. É precisamente aí que o nosso poder de decisão é chamado a atuar e aí é que a coisa pode ficar feia! O medo de abdicar de certas regalias e o desconhecimento das consequências da nossa decisão podem paralisar-nos e deixar-nos na pior situação possível, que é a da não-decisão.

O processo de tomada de decisão, sobre o qual sei muito pouco (apenas o que vida me ensinou até agora) mas gosto de ouvir falar, tem muito que se lhe diga. Ainda quero voltar a falar sobre ele no futuro, mas por hoje vou focar-me num aspeto específico de todas as decisões que tomamos: É impossível controlar o seu resultado.

Tabela de Miguel Arino In: apresentação "10 principles to make effective decisions", para mais info: http://miguelarino.com/2012/04/12/titanic/


Desta forma, uma decisão bem tomada não tem de levar necessariamente a um bom resultado. Parece-me que aceitar este facto é um bom ponto de começo, se queremos evitar o desespero quando as coisas não correm como esperávamos. Mas mais que aceitá-lo, quando a decisão que temos de tomar é importante devemos também preparar-nos para os imprevistos: criar planos B, perguntar-nos quantas vezes for preciso "E se acontecer...?". É isto mesmo que o X-manager, personagem que apresentarei num post futuro, faz quando é chamado a tomar decisões pessoais ou na sua empresa. Ele não tem medo do futuro nem do risco que este comporta. "Quem não arrisca, não petisca!" - costuma dizer. Sabe que com o dia de amanhã está sempre associada alguma incerteza, por isso aceita-a e inclui-a sempre nos seus planos.

Agora de volta ao caso das boas decisões que podem não levar a bons resultados, apresento-vos um exemplo muito simples:
 - No dia  7 de Julho de 2005, deu-se uma explosão na parte de cima de um autocarro em Londres, fruto de uma intervenção terrorista. Nesse dia, Anthony Fatayi-Williams, um jovem de vinte e seis anos, não conseguiu ir de metro para o trabalho, pelo que teve de arranjar outra alternativa: o autocarro. Por azar, apanhou precisamente aquele onde se deu o ataque terrorista e morreu.
Põe-se a questão: a decisão do Anthony de apanhar o autocarro foi uma má decisão? Eu diria que não! O resultado foi o pior possível, é verdade, mas a pessoa em causa não tinha a mínima hipótese de o prever.

Outra situação da tabela em que nos podemos ver envolvidos e será interessante analisar é aquela em que uma pessoa toma uma má decisão e, no entanto, o resultado acaba por ser bom. Como o prof. Miguel Arino dizia numa sessão a que assisti sobre os princípios para tomar boas decisões, esta é uma situação muito perigosa. Porquê? Porque é aqui que aprendemos a fazer as coisas mal! Imaginemos um carro que quer ir do ponto A ao ponto B e tem duas estradas para o fazer. A estrada 1, que está completamente engarrafada mas em bom estado; a estrada 2, que não tem trânsito nenhum devido ao perigo de derrocada eminente. O condutor opta pela estrada 2 e consegue chegar onde queria ileso. Foi uma boa decisão, esta? A de jogar com a sua vida por não querer perder tempo com o trânsito? Agora, convencido de que agiu bem na primeira vez, ele é capaz de repetir a brincadeira (que razões é que tem para crer que não lhe sai bem outra vez?) e arranjar problemas sérios.


Decidir e obter um resultado são duas coisas distintas. Acho que esta é uma boa ideia de alguém que percebe deste assunto, e espero que por agora tenha conseguido fazê-la passar de forma interessante.