quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Quem és Tu, se Não És Capaz de Lutar por Aquilo em que Acreditas?

Magoa

Ouvir aquilo em que acreditamos ser escarnecido e desrespeitado pelas pessoas à nossa volta.

Magoa

Ver desafiados, muitas vezes mesmo à nossa frente, os valores que toda a vida nos acompanharam e guiaram as nossas acções.

Magoa

Estar no meio de um mar de gente e sentir uma solidão amarga, poder contar apenas com nós próprios.


É bem pior que um murro no estômago!


E atenção!, quando falo de crenças não me refiro somente às religiosas. Quando gostamos muito de uma pessoa, acreditamos que ela é importante, senão para o resto do mundo, pelo menos para nós próprios. Quando nos dedicamos a um projeto, acreditamos que este pode trazer alguma coisa boa, alguma coisa de diferente, às pessoas à nossa volta.

Apesar disso, quantas vezes somos capazes de lutar por aquilo em que acreditamos? Se as nossas crenças são uma parte tão importante daquilo que define cada um, não devia ser um dado adquirido estarmos disposto a defendê-las?

"MEXE-TE!" - grita uma voz dentro de nós - quando sentimos que alguma coisa não está bem, que alguém está a passar o limite do aceitável com um certo comentário ou ação. "Faz qualquer coisa! Diz que não concordas, impede-o de fazer aquilo, protege-o, qualquer coisa!!". Infelizmente, nem sempre somos capazes de exteriorizar aquilo que sentimos estar certo. O medo de que os outros achem que somos uns totós, ou mesmo o receio pela nossa integridade física, é terrível quando se apodera de nós. É capaz de roubar a razão, de paralisar qualquer movimento que pensemos fazer.

Má notícia
Vencer este medo nem sempre é fácil. Há situações em que é muito difícil fazê-lo.

Boa notícia
Vencê-lo está longe de ser impossível! Deixo-vos dois exemplos abaixo de situações em que tal coisa aconteceu.


Andy Garcia, no filme "For Greater Glory: The True History Of Cristiada"
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Cristera




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Who Are You If You Cannot Stand Up For What You Believe In?


It hurts

To hear what you believe in, being mocked and disrespected by the people around you.

It hurts

To see the values that during your whole life have guided your actions being challenged.

It hurts

Being in the middle of a crowd and feel a bitter loneliness, being able to count  on no one but ourselves.


It's far worse than a punch in the stomach!


And beware, when I speak about beliefs, I'm not only referring to the religious ones. When we like someone, we believe they're important, if not for the rest of the world, at least for ourselves. When we put some effort in a project, we believe it can bring something good, something different, to the people around us.

In spite of that, how many times are we capable of fighting for what we believe in? If our beliefs are such an important piece of what defines oneself, shouldn't one be undoubtedly willing to defend them?

"MOVE!" - a voice inside us screams - when we feel that something is not all right, that someone is crossing the limit between what's acceptable and what is not, by saying or doing something. "Do something! Say you don't agree, stop him from doing that, protect him, anything!!". Unfortunately, we are not always capable of externalizing what we feel is right. The fear for having other people judging us as crazy, or even the fear for out physical integrity, is terrible once it takes upon us. It can steal our reasoning, paralise any movement we might think of doing.

Bad News
Overcoming this fear is not always easy. There are situations in which it is extremely hard to do so.

Good news
Overcoming it is far from impossible! Below, I leave you with two examples where such a thing happened.

Andy Garcia, in the movie "For Greater Glory: The True History Of Cristiada"
http://en.wikipedia.org/wiki/Cristero_War


http://www.guardian.co.uk/stage/2011/oct/25/romeo-castelluci-christian-protesters-play 

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

7+1 Citações Com As Quais Te Identificas (Ou Não?)

Há frases que têm voz própria. E, mesmo sem querer, podemos identificar-nos com a mensagem que nos transmitem. Umas sussurram-nos ao ouvido coisas que gostamos de ouvir, outras alertam-nos para algum ensinamento sábio que nos estava a escapar. 

Aqui ficam algumas de que gosto, retiradas de livros, músicas e filmes. Deixo-vos encarregues de identificar qual a música, livro ou filme onde fui buscar cada uma! Basta deixares um comentário no final com a lista.


Músicas


1. If you never know truth, then you never know love.
Conheces a verdade sobre aqueles que te são mais queridos? As suas qualidades e defeitos, tal e qual como são e não como gostavas que fossem? É que se não conheces, a pergunta é outra - será que são assim tão importantes para ti?

2. Could you close everyday without the glory and fame?

O que é que te faz saltar da cama? Onde vais buscar a motivação para fazeres aquilo que fazes no teu dia-a-dia? Continuarias a fazer tudo exatamente da mesma forma, se não recebesses o mínimo crédito e reconhecimento por tal? 

3. Can't catch tomorrow, good shoes won't save you this time

Nem as maiores reflexões te vão permitir alterar o passado, nem bons sapatos te permitem apanhar o amanhã. Por isso aperta bem os atacadores e ocupa-te com aquilo que a vida tem para te oferecer - hoje.

4. You can't start a fire without a spark

Não esperes ser bom em alguma coisa, se não estiveres disposto a investir tempo nela e a abdicar de outras. Não esperes que a rapariga ou rapaz dos teus sonhos venha falar contigo sobre aquilo que sentes por ele/ela. As fogueiras não se acendem por pensarmos muito sobre elas. Acender a faísca é da nossa inteira responsabilidade.



Filmes


5. "It's like in the great stories, Mr. (...) . The ones that really mattered. Full of darkness and danger they were. And sometimes you didn't want to know the end. Because how could the end be happy? How could the world go back to the way it was when so much bad had happened? But in the end, it's only a passing thing, this shadow. Even darkness must pass. A new day will come. And when the sun shines, it will shine out the clearer. Those were the stories that stayed with you. That meant something, even if you were too small to understand why. But I think, Mr. (...), I do understand. I know now. Folk in those stories had lots of chances of turning back, only they didn't. Because they were holding on to something... There's some good in this world, Mr. (...). And it's worth fighting for." 

Acredita que há algo de bom por que lutar, agarra-te a isso com todas as tuas forças, e a história da tua vida será como aquelas que realmente importam.

6. You know, I look at you. I watch you. You're not a drunk. That's, that's real control. Control is power. That's power.

Controlas o teu apetite - consegues partilhar a tua comida com os outros. Controlas o desejo de gastar dinheiro - tens a capacidade de poupá-lo para o que importa. Controlo não só significa poder, como poder para fazer o bem.


Livros

7. "In our days," continued Véra - mentioning 'our days' as people of limited intelligence are fond of doing, imagining that they have discovered and appraised the peculiarities of 'our days' and that human characteristics change with the times - ...
E esta? Deixa-nos a pensar duas vezes antes de escrever o que quer que seja sobre "os dias de hoje" - pode ser que não saibamos tanto sobre eles como pensamos.



Escolha do Khurram (+1)


"Half the population's just waitin to see me fail / Yeah right, you're better off trying to freeze hell" 

The world will always have its naysayers and doubters. In your life, you’ve probably come across people who tell you that you can’t do something because you’re not smart, pretty/handsome, adventurous, or INSERT OTHER CHARACTERISTIC HERE, and they are waiting to see you prove them correct. Prove the naysayers and doubters wrong, use their negativity as fuel to light your fire. Fight on and succeed.





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7+1 Quotes You Identify With (Or Don't You?)

There are sentences with a voice of their own. And even if we don't want to, we might end up identifying ourselves with the message that's being transmitted. Some will whisper in our ears things we like to hear, others will warn us about some wise teaching we were missing.

Here are some sentences I like, taken from some songs, books and movies. I leave you in charge of identifying the song, movie or book which I took the sentence from! Just leave a comment in the end.


Songs


1. If you never know truth, then you never know love.
Do you know the truth about those who are dearest to you? Their qualities and defects, just as they are and not the way you would like them to be? Because if you don't, the question to make is a different one - are they that important to you?

2. Could you close everyday without the glory and fame?

What is it that incites you to jump off the bed every morning? Where do you get the motivation to do everything you do in your everyday life? Would you still do it the same way, in case no credit and recognition were given to you for such?

3. Can't catch tomorrow, good shoes won't save you this time

Neither the greatest considerations will allow you to change the past, nor will good shoes allow you to catch tomorrow. Therefore, tie your shoelaces properly and occupy with what life has to offer you - today.

4. You can't start a fire without a spark
Don't expect to excel at something, if you are not willing to invest time in it and having to give up others. Don't expect the boy or girl of your dreams to come talk to you about how you feel for him/her. Fires won't start if we just think about them. Litting up a spark is our own and entire responsibility.

Movies


5. "It's like in the great stories, Mr. (...) . The ones that really mattered. Full of darkness and danger they were. And sometimes you didn't want to know the end. Because how could the end be happy? How could the world go back to the way it was when so much bad had happened? But in the end, it's only a passing thing, this shadow. Even darkness must pass. A new day will come. And when the sun shines, it will shine out the clearer. Those were the stories that stayed with you. That meant something, even if you were too small to understand why. But I think, Mr. (...), I do understand. I know now. Folk in those stories had lots of chances of turning back, only they didn't. Because they were holding on to something... There's some good in this world, Mr. (...). And it's worth fighting for." 

Believe there's something really good worth fighting for, hold on to that with all your strength, and the story of your life will be such as the ones that really matter.

6. You know, I look at you. I watch you. You're not a drunk. That's, that's real control. Control is power. That's power.
You control your appetite - you can share your food with other. You control the wish of spending money - you have the ability to save it for what really matters. Control does not only mean power, as the to do GOOD.

Books

7. "In our days," continued Véra - mentioning 'our days' as people of limited intelligence are fond of doing, imagining that they have discovered and appraised the peculiarities of 'our days' and that human characteristics change with the times - ...
How about this one? We should think twice before writing whatever be it about "our days" - we might not know so much about them as we think we do. 




Khurram's choice (+1)


"Half the population's just waitin to see me fail / Yeah right, you're better off trying to freeze hell" 

The world will always have its naysayers and doubters. In your life, you’ve probably come across people who tell you that you can’t do something because you’re not smart, pretty/handsome, adventurous, or INSERT OTHER CHARACTERISTIC HERE, and they are waiting to see you prove them correct. Prove the naysayers and doubters wrong, use their negativity as fuel to light your fire. Fight on and succeed.




quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Olá, Sou do Paquistão. E Tu?

 O desafio era simples

Duas pessoas de nacionalidades distintas, e que se conheceram há um par de semanas, ficarem de escrever um texto crítico e objetivo sobre as pessoas do seu país. Duas opiniões sobre o ser humano que, afinal, pode ser tão diferente quanto maior a distância que separa os sítios onde vive. Ora lê...


Ali Abdullah | 21 anos

Estudante Universitário

Nacionalidade:    Paquistanês



Com alguma frequência, quando conheço alguém pela primeira vez e digo “Sou do Paquistão” – as pessoas ficam um bocadinho chocadas. Talvez seja a minha pronúncia que as deixa de pé atrás (não pareço Paquistanês quando falo), ou talvez seja simplesmente uma consequência da imagem que os media se encarregaram de alojar no seu subconsciente – uma nação extremista e uma cultura de extremos. Infelizmente, esta opinião não dista muito da verdade, só que deixa escapar o lado positivo [da cultura Paquistanesa] que o mundo raramente vê ou experiencia.


O Paquistão é um país com fortes raízes na sua cultura – embora grande parte desta tenha sido deixada de parte á medida que adotamos ideais ocidentais, certos princípios culturais têm permanecido embebidos no nosso sistema. Uma rapariga Espanhola [com quem falei] destacou alguns problemas do seu país e contou-me como o facto de as pessoas viverem com os pais até aos trinta anos se devia à falta de oportunidades – para ela, isso era uma desgraça e qualquer pessoa nessa situação seria considerada como alguém com problemas e que pouco fez da vida. Para mim – é o curso normal da vida.

A maioria das pessoas nunca perceberá como o conceito de família funciona no Paquistão. Gerações após gerações são criadas na mesma casa. Pela casa do meu avô já passaram quatro gerações. Não é vergonha, nem desgraça nenhuma, viver com os próprios pais até que fiques velho; pelo contrário, é a base de um ambiente onde se vive o amor. Quando disse à rapariga espanhola que tinha planos de viver com os meus pais para sempre, ela não tinha a menor ideia daquilo de que eu estava a falar – até que lhe expliquei como o bem-estar e a segurança dos meus pais vêm antes das minhas próprias prioridades. Este princípio, ela também achou demasiado “diferente” para perceber mas, com o tempo, achou que ficou com a ideia.

Nós temos o conceito de “lares de idosos” muito pouco estabelecido na nossa sociedade – os poucos que existem são casas de caridade; é um sinal de extrema humilhação deixar os pais numa destas casas, tanto para os mesmos como para os filhos. Nós gostamos de pensar na nossa cultura como uma que preserva a unidade familiar – o marido e mulher são livres de trabalhar, enquanto que os avós dão uma ajuda a educar as crianças à moda antiga, como a cultura estabelece. Algo que nenhuma escola é capaz de ensinar. A atenção extra que os pais não são capazes de dar aos seus filhos é dada pelo resto da família – os tios, tias, primos… Toda a gente tem o seu papel. As crianças crescem com o devido amor e carinho que nenhum centro infantil é capaz e proporcionar. Eles sentem a unidade da família de cada vez que se sentam à mesa. Os avós nunca se sentem desnecessários.

O sistema funciona em torno de um simples conceito que, por sua vez, se baseia numa ideologia – “Se os teus pais te ajudaram a dares os primeiros passos na vida, é no mínimo justo que os ajudes a dar os últimos”. As pessoas sentem com frequência que o custo de viver de tal forma em comunidade é a sua independência – mas em alguns casos, viver assim é uma forma particular de independência. [No outro dia] fui a Christiania (uma pequena cidade dentro de Copenhaga onde não se paga impostos) e vi a cultura deles – uma sociedade pequena e fechada de pessoas que trabalham juntas, que se ajudam mutuamente e estão determinadas em mantê-lo dessa forma. Os seus laços são tão fortes que estão dispostos a arriscar as próprias vidas para proteger o seu sistema – de maneira alguma tal pre-disposição os impediu de viver a vida que queriam, da forma que desejavam. Para mim, os benefícios de viver em comunidade ultrapassam largamente aqueles que obtemos se vivermos de forma independente – mas também, essa é a minha opinião.



Miguel Bandeira  | 19 anos  Estudante                  

Nacionalidade:    Português




Eu optei por apontar a qualidade e o defeito que mais vejo nas pessoas de Portugal. Comecemos pelas boas notícias: os Portugueses são um povo tranquilo! Somos mesmo! Até podemos ferver em pouca água perante algumas chatices, mas as manifestações da nossa irritação muito raramente passarão de uma boa dose de gesticulação e alguns palavrões lançados bem alto. Um exemplo claro disso mesmo é a reação da população portuguesa à crise que estamos a passar. Não se ouve nas notícias relatos de distúrbios sociais de grande ordem. Não como já houve na Grécia, por exemplo. O bom Português gosta de mostrar a sua indignação, disso não há dúvida - temos bastante prática na arte de apontar o dedo ao governo e sugerir novos cursos de ação. No entanto, não é isso que se quer, quando é feito de forma decente? 

Mas, como diz o velho ditado "não há bela sem senão". E quando a tranquilidade se excede e transforma em desleixo perante a vida, temos problemas. O que me leva a apontar um defeito terrível do meu povo: temos uma enorme falta de noção de compromisso! Vamos lá perceber o que quero dizer com isto. Basicamente, compromisso é a forma de se assumir uma obrigação com alguém e com algum objetivo
  • Alguém - este parece-me ser um ponto que muitas vezes as pessoas esquecem quando assumem um compromisso: há uma pessoa, com os seus sentimentos, desejos e expectativas do outro lado da relação. Quando dizemos "gosto de ti" ou  "podes contar comigo para o que precisares!", estamos a assumir um compromisso que pode ter um valor enorme para a outra pessoa. Quebrá-lo pode não custar-nos nada, mas a alguém há-de magoar...

  • Objetivo - seja um jantar de aniversário, uma reunião do trabalho ou outro tipo de evento qualquer, cada um tem o seu próprio objetivo. Objetivo esse que será cumprido na totalidade SE houver da parte dos intervenientes um esforço para que ele aconteça... A HORAS! Pontualidade é um sonho para muitos portugueses, um "capricho dos alemães!", um método inovador de chegar aos sítios que só afetará a nossa sociedade lá para o século XXII... Até lá, podemos descansar tranquilamente...

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Agora é a tua vez! A janela para deixares comentários é mesmo aqui em baixo.
Aposto que não pensas exatamente o mesmo sobre os países que descrevemos e que tens muito a dizer sobre o teu próprio país.

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Hey, I'm from Pakistan. How about you?


The challenge was simple

Getting two people of different nationalities, who met a couple of weeks ago, to write a critical and objective text about the oeople of their own country. Two opinions on the human being who, after all, can be as different as greater is the distance which separates the places they live in. Have a look...


Ali Abdullah | 21 years old

University Student

Nationality: Pakistani

Often when I meet people and say “I am from Pakistan” – they get a bit of a shock. Perhaps it is my accent that throws them off (I do not sound like a Pakistani), or perhaps it is simply the shock embedded into their subconscious by the media – an extreme nation with an extreme culture. Unfortunately, their opinions are not far from the truth, except that they miss the positive that the world seldom sees or experiences.

Pakistan is a country built on culture – though a lot has eroded as we take up western ideals, some sphere have remained deeply embedded in our system. A Spanish girl was highlighting the plight of her country and how people live with their parents till they are 30 due to lack of opportunities – to her, that was a disgrace and one of a troubled individual who had made nothing out of life. To me – it was life.

Most people will never understand how the concept of the family works in Pakistan. Generations after generations are raised in the same home. My grandfather’s house has already seen 4 generations. It is no shame, nor disgrace, to live with your parents until you yourself are old; instead, it is the foundation of a lovely atmosphere. When I told the Spanish girl I had ever plan to live with my parents forever, she had no idea what I was talking about – until I explained to her how my parent’s wellbeing and safety came before my own priorities. This too was taken as too “different” to understand, but with time, I think she got the idea.

We have very little concepts of welfare homes for the elderly - the few that exists are charity homes; anyone sending their parents there is a sign of extreme humiliation; both for the parents and the children. We like to think of our culture as one that preserves the family unit – the husband and wife are free to work, while the grandparents give a helping hand towards raising the children in the old fashion, cultural way. Something no school can give you. The extra attention that parents cannot afford to give to their children themselves, is given by the rest of the family – the uncles, the aunts, the cousins, everyone participates. Children grow up with the proper love and care that no day care center can give. They get the touch of family every-time they sit on the table. Grandparents never feel useless or unneeded.

The system works around a simple concept revolves around a simple ideology – “if your parents helped you take the first steps in life, it’s only fair that you help them take their last”. People often feel the cost of such communal living is their independence – but in some cases, this is independence in its own way. I went to Christiana (the free town in Denmark) and saw their culture – a small close-knit society of people working together, helping each other, and strongly determined to keep it like that. Their bonds were so strong that they were willing to risk their lives to protect their system – at no point did it hold them back from living the lives they wanted, the way they wanted. To me, the benefits of communal living far outweigh the benefits of an entirely independent – but then, that’s me.

Miguel Bandeira  | 19 years old Student                  

Nationality: Portuguese


My approach to this question was a little more modest than Ali's, for I chose to point out the quality and flaw that i've seen the most amongst my people. Let's start with what we have that's good: Portuguese people are very tranquil! We are, indeed! We might get really upset before some nuisances, but our annoyance manifestations will rarely go beyond a good dose of gesticulation or unpleasant words spelled out loud. A clear example of what I've just stated is the Portuguese population reaction to the economical crisis we are going through. You don't hear news reports about serious social disorders. Not such as the ones which took place in Greece, for example. The typical Portuguese person likes to show their indignation before the world, no doubt about that - we have acquired a special practice in pointing the finger to the government and suggesting new courses of action. However, isn't it that way that things are supposed to be, when handled in a decent way?

But, as the old saying goes, there's a flip side to every coin. And when tranquility becomes laxity before life, we've got some problems. Which allows me to point out a terrible flaw of my people: we've got a tremendous lack of commitment notion! So let's try to understand what I mean by saying this. Basically, commitment is the way of assuming an obligation before someone and with some purpose.
  • Someone - it seems to me this is a point that some people miss when they assume a commitment: there's a person, with their own feelings, wishes and expectations on the other side of the relationship. When we say "I love you" or "count on me for everything you need!", we are assuming a commitment that might have a huge value for the other person. Breaking it might cost us nothing, but it will hurt somone...
  •  Objective - whether we're talking about a birthday dinner, a work meeting, or any other type of social event, each one has its own objective. Which will be accomplished if, and sometimes only if, its intervenients make an effort so it happens... ON TIME! Punctuality is still a dream for many Portuguese people, a "caprice only German people care about", an innovative method of arriving to places which will only affect our society sometime around the XXII century... Until then, we can just relax...

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Now it's your turn! The window to leave your comment is right below this text.
I bet you don't think the same way about the countries we wrote on, and that you have a lot to say about your own country. Give it a try!


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Opinião (própria) de quem não quer perder tempo

Há quem não tenha pachorra para ouvir o prof. Marcelo Rebelo de Sousa falar na tvi, nem esteja muito interessado em ouvir conferências sobre as características do tecido empresarial em Portugal.

Há pessoas que não gostam de ler notícias e que jamais dedicariam parte do seu tempo a um livro sobre a atualidade. Basicamente, nem toda a gente gosta de ter trabalho para formar uma opinião sobre o que se passa no mundo. OK, no stress - há gostos para tudo e informar-se sobre os acontecimentos não tem de ser um deles. Mas então, o que será de esperar que o João (personagem genérica que nunca se interessou por pintura) diga à Maria (que adora pintura e sabe tudo o que há a saber sobre a matéria) quando ela lhe perguntar a sua opinião quanto ao quadro que os dois estão a ver? Um "gosto muito, mas não te sei dizer grande coisa sobre o assunto" ficava-lhe bem, dadas as circunstâncias. Mas não é que o João leu no dia anterior uma crítica precisamente àquele quadro, optando por fazer suas as palavras do autor? Chico-esperto... E com isto podemos chegar a uma conclusão:

Ter opinião sobre um tema qualquer não é como jogar futebol. No futebol, é impossível convencer um estádio inteiro de que somos bons jogadores, se não o formos! No mundo da opinião as coisas não funcionam bem assim. É possível uma pessoa mandar bitaites sobre um assunto qualquer sem saber muito bem do que está a falar, e ainda assim fazer-se passar por conhecedor da matéria. É uma técnica, é verdade, que muito poucos conseguem dominar. Queres saber como o fazem? Aqui ficam três práticas que me parece que se adequam bem aos mestres nesta arte:

  • Decorar as opiniões dos pros                                                                                                Como escrevi na semana passada, ouvir os verdadeiros entendedores de certa matéria pode ser uma maneira bastante boa de construirmos a nossa própria opinião. Com uma condição: pensarmos por nós próprios sobre aquilo que a outra pessoa disse e acrescentar-lhe o nosso toque pessoal - aquilo com que concordamos ou discordamos. Não aprendemos nada se ouvirmos alguém falar, com o único intuito de retirar do discurso dessa pessoa frases que possamos repetir. As araras fazem o mesmo!...

...e não são assim tão espertas

  • Ler SÓ os títulos das notícias                                                                                                   Esta técnica é particularmente eficaz quando se conversa com alguém que, assim que tem um tema para discutir, é capaz de fazer extensos monólogos. João: "Estive ontem a ler sobre a economia Grega [não passou do título] e descobri algns factos interessantes. Sabias que já tiveram de pedir ajuda financeira ao BCE?" Maria: "Pois é! Sabes porquê, não é? Era óbvio que com tanto tempo a fazer ..., só podiam ter acabado assim". Os problemas começam quando o João tem de aprofundar um bocadinho aquilo que "leu".
  • Ler a contracapa dos livros interessantes                                                                                   A mim sabe bem, e acho que esta é uma sensação comum entre quem gosta de ler, poder comentar um livro qualquer que já li quando se fala dele. Aquilo que, na minha opinião, NÃO VALE, é dizer que um livro é interessante ou deixa de o ser por causa do sabor que nos deixou a leitura da contracapa. Até pode estar incrivelmente bem escrita e fazer um apanhado do que se fala nas restantes páginas, mas não são bem a mesma coisa.
Concluo com uma pequena reflexão: não há nada de errado com saber pouco sobre o que se passa à nossa volta, ou não ter opinião sobre alguns temas ditos essenciais nos dias de hoje. É precisamente nesses campos que temos a oportunidade de aprender coisas novas. Agora, recorrer às três práticas que apresentei só para demonstrar um alegado conhecimento da realidade, "Não, obrigado!".

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Having an (own) opinion but no time to build it



There are people who neither have the patience to hear prof. Marcelo Rebelo de Sousa speak in the portuguese national TV, nor care much about attending to conferences about the characteristics of the portugese companies.

There are people who don’t like to read the news and who would never save some of their time to read a book about today’s world. Basically, not everyone likes having to do some work to form their own opinion on what’s going on all around. OK, no stress about that – everyone has their own tastes and informing oneself about actual events doesn’t have to be one of them. But then, what would John (generic character who never showed any type of interest for paintings) say to Mary (who loves painting and knows pretty much everything sbout it) when she asks for his opinion on a painting that both are seeing? An answer like “I like it very much, but can’t tell you much more about it” would suit him, given the circumstances. But instead, John, who had yesterday read a critics to that very painting, chose to make the critic author’s words his own. Smart guy, han? At this point we can reach a conclusion:

Having opinion on a subject matter is not at all like playing football! In football, you can’t really convince a whole stadium audience that you are a good player if you are not! In the world of opinions, things don’t work out that way. It’s possible that one goes around saying whatever he wants on a subject of which he knows little about, and yet cause others to think he knows much about it. It’s a technique, no doubt about that, which only a few can master. Do you wanna know how they do it? Here are three practices that, in my opinion, suit the people who are well trained at this art:
  • Memorize the pros’ opinions:

Such as I wrote last week, hearing the ones who truly understand a certain subject matter can be a really good way of building your own opinion. But on one condition: you’ll have to think by yourself about what the other person said, being this way able to add your personal touch to it – what you agree and disagree with. We don’t learn if we hear someone speaking, with the only purpose of taking sentences for ourselves to repeat. Macaws can do the same!...

... and they are not that smart

  • Read ONLY the news’ titles

This technique is particularly effective when you talk to someone who, as soon as they have something to fuss about, they will make extended monologues. John: “Yesterday I was reading about the Greek economy [didn’t go further than the title], and found some interesting facts. Did you know they had to ask for a financial rescue from ECB?” Mary: “That’s right! You know why, don’t you? It was obvious that after so much time doing…., they could only have ended up like this”.The problems will arise when John is asked to give a deeper opinion on what he “read”.

  • Read the back cover of interesting books

It feels good to me, and I believe this is a common feeling among those who like to read, being able to comment on some book that I have already read when it is mentioned in a conversation. But what, in my opinion, is pretty lame, is saying whether a certain book is interesting or not just because of what it looked like in the back cover. Even if it is extremely well written and makes up for a good summary of the remainder pages, it will not be the same thing as reading the whole book.


I’ll conclude with a little thought on this topic: there’s nothing wrong about knowing little of what is happening in the world, or not having your own opinion on a so called key subject for today’s conversations. It’s precisely in those areas where you have the opportunity to learn new things. Now, regarding the use of these three practices that I’ve presented in this post, with the purpose of depicting an alleged knowledge of reality, I say: “No, thank you!”

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International readers (if there's any): please give me feedbak if you are on that side :)
I would like to know if it's worth start writing the posts in English as well!