quarta-feira, 31 de outubro de 2012

O Tempo Que Não Guardamos para Fazer o Que Gostamos

Pensa na coisa que mais gostas de fazer. Agora escreve num papel quanto tempo é que lhe dedicas por semana, em média. Se escreveste:
  • 0 minutos (ou algo parecido), este post é especialmente para ti!
  • Um intervalo de tempo razoável, dou-te os meus parabéns! Sabes gerir o teu tempo e consegues arranjar espaço no teu horário para fazeres aquilo de que gostas.
  • Mais de 84h e a coisa em que pensaste foi dormir, sugiro que leias isto.

Vamos lá. Como já deves ter percebido, hoje vamos falar sobre o tempo que cada um investe naquilo que gosta de fazer. E vamos fazê-lo de uma forma especial. Imagina que uma amiga tua (a Sara) chega ao pé de ti e diz:
“Há um ano que não tenho tido tempo para nada! Nem para correr, que é a coisa que mais gosto de fazer, nem para estar com os meus amigos.” O que é que responderias? Experimenta isto:

“Querida Sara, os dias têm a mesma duração para toda a gente. Não tenho dúvidas que tens tido tempo para alguma coisa, quanto mais não seja para comer, trabalhar e dormir. Desta forma, acho que o problema não está tanto no tempo que tens disponível, mas mais com as tuas prioridades.

Se calhar, o que se passa é que correr e veres os teus amigos não está na tua lista de prioridades. Será que eras capaz de abdicar de tempo a ver televisão, ou mesmo a trabalhar, para o investires no que dizes serem os teus maiores interesses? Se sim, fá-lo sem hesitar e com a regularidade que for possível. Se não, talvez devesses repensar sobre aquilo que realmente é importante para ti.


Às vezes gostamos mesmo de uma coisa, mas deixamos que o trabalho ou outros interesses de menor importância suguem todo o tempo disponível que temos. Toma um tempinho e vê se é isso que te está acontecer.

Mais ainda: surpreendentemente, as coisas que nos dão mais gozo fazer nem sempre dão um gozo imediato. Eu gosto de [preenche com um gosto teu] mas nem sempre tenho a maior vontade do mundo para o fazer, quando chega a altura para tal. Um amante de corrida como tu, nem sempre sente que ir correr às 7 da manhã de uma segunda-feira é o que lhe apetece mais fazer. Mas no final vale a pena e até soube bem.



Aqui ficam algumas dicas para levares os teus interesses adiante:
  • Define objetivos: marca corridas no teu calendário e planeia encontros com a tua amiga. Mas nada de pressas exageradas! Os propósitos devem ser “poucos, práticos, possíveis e progressivos”, como dizia o Pe. Pinto Magalhães.
  • Define prazos: os objetivos são ótimos. Mas ficam ainda melhores se forem acompanhados por um prazo. Uma pressãozinha em termos de tempo nunca fez mal a ninguém, e é bem capaz de te ajudar a cumprir os objetivos a que te propuseres. Se disseres a ti mesma que daqui a 1 mês queres ter menos 2 kg, vais dar por ti a correr mais e melhor, de forma a cumprires o teu objetivo dentro do prazo.


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The Time One Doesn't Save to Do What He Likes

Think about that one thing you enjoy doing the most. Now write down on a piece of paper the average amount of time a week that you dedicate to it. If you wrote:
  • 0 minutes (ou something like it), this post is specially meant for you!
  • A reasonable interval of time, I congratulate you! You know how to manage your time and you can actually spend some of it doing what you like.
  • More than 84 hours and the thing you thought about was sleeping, I suggest you read this (but learn some portuguese first).

Ok, let’s move on. As you have probably understood by now, today we are speaking about the amount of time that one invests in what he/she likes to do. And we are going to do it in a special way. Imagine a friend of yours named Sarah comes to you and says:
“This last year I’ve been having absolutely no time for anything! Neither to run, which is the thing I like to do the most, nor to be with my friends.” What would you answer? Try this:

“Dear Sarah, each day has the exact same amount of hours for everyone. I have no doubts that you’ve been having time for at least eating, working and sleeping. So the problem here might not be so much about lack of time, but rather about your priorities priorities.

Maybe what’s happening is that running and meeting your friends are not in your list of priorities. Would you be able to give up some time of watching television, or even of work, to invest it in something which you claim that is in your biggest interests? If so, do it as regularly as possible and without hesitating. If not, maybe you should rethink about what you think is really important for you. Sometimes we really like something but we let work and other occupations suck away all the time that we have available.

And I’ll tell you more: surprisingly, the things we like to do the most don’t always provide us with an immediate pleasure. I like [fill in with a taste of your own] but I don’t feel like doing it all the time. A jogging lover such as you not always feels like go on a rua at 7am on a Monday. But in the end it’s worth the effort.



Here are some tips that might help you with spending more time doing what interests you the most:

  •       Set goals: Schedule some jogging time in your calendarar na plan some meetings with your friends. But no exhagerated rush! Objectives should be “a few, practical, possible and progressive”, as priest Pinto Magalhães said already.
  •  ·   Set deadlines: objectives are great. But they get even better provided that they are accompanied by a deadline. A little pressure in terms of time has never hurt anyone, and it might be a really good help when it comes to fulfill the objectives you’ve set out for yourself. Say your self that in 1 month you want to have 2kg less, and you’ll notice that you’ll run more times and in na improved way, so you can accomplish your objective in time.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Já Fazes Isso! Primeiro Limpa o Frigorífico








Quando um fã lhe perguntou como escrever um romance, Ernest Hemingway respondeu que a primeira coisa a fazer era limpar o frigorífico.

À primeira vista, esta tirada do escritor parece falar-nos de um hábito de qualquer dona-de-casa. E pode ser que fale, mas a meu ver ainda fala de mais. Aqui ficam três coisas que me vêm à cabeça:





1. Há coisas que demoram bastante tempo a fazer, por isso não vale a pena tentar fazê-las de uma só vez

Nunca escrevi um livro mas acredito que requeira bastante tempo de quem o faça. Será isso razão suficiente para que os escritores tenham períodos de hibernação criativa nas suas vidas, em que não fazem mais nada para além de escrever? Suspeito que não!! É preferível levar a vida de forma natural e saudável, dando a todas as outras coisas (família, amigos, limpeza do frigorífico, etc.) o tempo que necessitam. Só assim se terá a cabeça realmente saudável na altura do trabalho duro - seja ele qual for.


2. Parte do processo de fazer X está em fazer Y
Se, para escrever os posts deste blogue, eu me convencesse que podia simplesmente sentar-me com papel e caneta e que as palavras começariam a fluir de forma natural, estava tramado! Há um espaço de tempo que, por mais inútil e pouco produtivo que pareça, é da maior importância que há. É aquele em que penso sobre o que vou escrever. Ou então é um inesperado momento a meio de uma conversa, por exemplo, em que uma ideia aparece. Poderia mesmo escrever o post se não tivesse tido a discussão anterior?

3. Os bons escritores sabem pôr-nos a pensar com as frases que dizem, disso não há dúvida...


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You Will Do That in a Moment! Start by cleaning the fridge













When asked by a fan on how to write a novel, Ernest Hemingway said that the first thing to do was cleaning the fridge. 

At first sight, this intervention by the writer seems to tell us about a habit of any house maid. And it might, but from my point of view it goes even deeper. Here are three things that popped into my head:



1. There are things that take a long time to do, so it's not worth it trying to do them in a single time
I've never written a book, but I believe it requires a lot of time from who does. Is that enough reason for writers to have periodes of creative hibernation in their lives, in which they do nothing but writing? I suspect not!! You'd rather live your life in a natural and healthy way, spending the proper amount of time with all the other things in your life that need it (family, friends, cleaning the fridge, etc). Only this way will one have a good enough state of mind when it comes to hardworking - whatever it is about.





2. Part of the process of doing X is in doing Y
If, in order to write the posts for this blog, I would convince myself that I could simply sit down with a piece of paper and a pen, and words would start naturally flowing, I would have a hard time writing them every week. There's a space of time which, as useless and little productive as it might seem, is extremely important. It's the one during which I think about what I'm going to write on. Or it might be an unexpected moment, in the middle of a conversation, in which an idea comes into my head. Would I be able to write the post, hadn't I had the previous conversation?


3. Good writers know how to say the right things to put our minds to think,  no doubt about that! 








quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Guia Para Encontrar um Potencial Católico Num Bar

São 10 da noite de sexta-feira e tu e os teus amigos decidem ir a um bar. Ainda é cedinho quando chegas lá, só uma mesa é que vai na segunda rodada de bebidas. Sentam-se e um dos teus amigos vira-se para ti e diz: “Olha só para aquele! Espera lá… Ele está a rezar o terço???” – e pronto, acabaste de descobrir um Católico no meio da multidão.


AHAH, got you! Apesar de ter consciência do valor inestimável da oração, o Católico também sabe que cada coisa tem o seu lugar e tempo devidos. Um bar é um sítio para se conversar com os amigos e dar um pezinho de dança (ou mostrar um de chumbo, para os especialistas), tanto para Católicos como para os que não o são. Na verdade, há poucos aspetos (mas importantes) em que poderás ver alguma diferença na forma como crentes e não crentes se comportam num bar. Vale a pena olhá-los de perto:


Porque é que é pecado? E o que é um pecado, afinal de contas?

Começando pela segunda pergunta, de forma muito simples o pecado é uma falta contra a razão, a verdade e a recta consciência (ler pontos 1849 e 1850 do catecismo da Igreja Católica). O pecado pode ser pequeno ou gigantesco, e a Igreja utiliza os termos venial e mortal para defini-los, respetivamente.

Respondendo agora à primeira questão, “beber em excesso é um pecado porque prejudica a saúde e porque a intemperança produz facilmente outros efeitos nocivos”. Se há alguma diferença entre o ficar alegre ou ficar podre de bêbado? Sim, há! É a diferença entre cometeres um pecado pequeno, na terminologia que usei há bocado, e um gigantesco! E a razão de ser disto é que, numa bebedeira séria, a pessoa perde completamente o uso da razão, já não sabe o que fazFicar alegre nem sequer tem de ser pecado, é quase como ires ao cinema e saíres de lá todo entusiasmado por causa do filme. Se não trouxer consequências para a saúde da pessoa, das que estão à sua volta e para a sua relação com Deus, está tudo OK.





O que está longe de ser verdade é que um Católico não pode beber álcool. É o excesso que é condenado, e não a prática em si.





Um Católico não vai a um bar ou discoteca para arranjar uma curte, maximizar o prazer que consegue retirar dela, e voltar para casa descansado da vida.
Porquê? Provavelmente há mais razões, mas uma delas é o facto de que o ato que descrevi constitui uma instrumentalização de outra pessoa para obtenção de um prazer pessoal, e muito provavelmente sem vista aos efeitos emocionais que poderá causar... E será que preciso mesmo de recorrer aos ensinamentos da Igreja relativamente a este assunto? Lá no fundo, que tipo de relações é que queremos ter?

Agora, isto quer dizer que um Católico não pode dançar com uma rapariga amiga, ou que não conheça (e vice-versa)? Claro que não! A palavra-chave aqui é instrumentalização, como já referi. Qual a intenção dos teus atos? Divertires-te, passares um bom bocado com outra pessoa sem fazer dela um instrumento para qualquer coisa? Então força!

Quanto ao guia que o título do meu post promete fazer, se queres mesmo tentar adivinhar quem é um potencial* Católico num bar ou discoteca, procura por algum dos comportamentos que referi. É capaz de ser um jogo engraçado!

*potencial, visto que assim como é muito provável haver católicos que não vivem de acordo com a sua fé, também é possível encontrar boas pessoas que não sejam católicas!


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Guide to Find a Potential Catholic In a Bar

It's 10pm on a friday night and you and your friends decide you're going to a bar. It's still early, so only one of the tables is already in the second round of drinks. You sit down and one of your friends comes to you with this one: "Look at that guy! Wait a moment... Is he praying the rosary???" - and that's it, you've just found a Catholic in the middle of a crowd.


AHAH, got you! In spite of being aware of the priceless value of prayer, a Catholic person knows that everything has its proper place and time. A bar is a place where you talk to your or friends, or show your dancing skills (or the absence of such - for the specialists) as much for Catholic people as it is for those who are not. In fact, there are only a few issues (but important ones) in which you might notice some differences in the way that believers and non-believers behave. Let's take a closer look at some of them:


Why is it a sin? And what is a sin anyway?

Beginning with the second question, and in a simple way, a sin is a foul against reason, truth and rightful conscience (read bulllet points 1849 and 1850 from CCC - cathecism of the catholic church). The sin can be little or gigantic and the Church uses the terms venial and mortal to define them, respectively.

Answering to the first question, "overdrinking is a sin because it harms one's health and because imtemperance easily causes other harmful effects". Is there any difference between the "getting happy" feeling and being completely drunk? Yes, there is one! It's the difference between commiting a sin that's small, using the terminology above, and one that's gigantic! And the reason why this is so is that, in a serious state of drunkness, the person completely loses the use of reason and knows no longer what she's doing. Getting "happy" does not even have do be a sin, provided that it does not have any consequences to one's health, the one of the people around them and to their relationship with God. 

What's far from being true is that a Catholic cannot drink alcohol. It's the overdrinking that's condemned, not the drinking itself.


A Catholic does not go to a bar or disco to have a one night affair, get as much pleasure as he/she can from it, and go back home with a tranquil mind.
Why? There are probably more reasons why, but one of them lies in the fact that the act I described is an example of a sheer instrumentalization of another person in order to get personal pleasure, and much likely not taking into account the other person’s feelings… And do I really need to turn to church’s teaching regarding this matter? Deep down, which type of relationships do we want to have?

Now, does this mean that a Catholic cannot dance with a friend or someone who he/she does not know at all? Of course it doesn't (mean that...)! I'd say the keyword here is instrumentalization, as I've mentioned before. What's the intention of your actions? Having fun, hang out for a while without making an instrument out of him/her? Then go ahead!

As for the guide that my post's title promises to make: if you really want to try and guess who's a potential* Catholic in a bar or disco, try to find some of the behaviours I described. It might be a fun game!

*potential, as not every Catholic always behave according to what the Church teaches (for not knowing it or rejection of such), and because there are also some non catholic people who behave the way I described.





quarta-feira, 10 de outubro de 2012

O que Aprendi com o Medo de Não Conseguir Dormir

Psst: Se és do tipo de pessoa que cria problemas onde eles não existem, vais querer ler este post

Há imensas pessoas que, se não conseguem adormecer á noite, entram em pânico. Trocam de lado vezes sem conta, viram a almofada para ficar com a cara bem fresquinha, mas o sono simplesmente não vem… Os primeiros 15 minutos até se passam bem, agora quando temos uma hora ou mais sem conseguir fechar olho, é caso para ficar aflito!

Ok, se calhar exagerei um bocadinho ao dizer que há imensas pessoas com este medo (é óbvio que o fiz), mas pelo menos eu já o tive, nos meus tempos de criança. E não fazem ideia das dimensões que tomava.

Noites em crise            
Basicamente, sempre que não conseguia adormecer, ficava com um medo indescritível de não conseguir dormir durante toda a noite. Se o medo era racional? Não! Era capaz de me levantar da cama, muitas vezes a chorar, e pedir aos meus pais que me ajudassem com aquele “enorme problema” que eu não conseguia resolver. Se o problema era real? Também não!

Mas como os meus pais preferiam dormir descansados a ter-me a chateá-los o tempo todo, e eu também preferia não ter de passar por aqueles momentos de autêntica agonia, tentámos arranjar soluções para “O Problema”. Daí que a Coca-cola ao jantar tenha passado a ser evitada (a percentagem de 10% de cafeína podia ser a causadora de toda a minha angústia).


Como Ultrapassar Este e Outros “Problemas”
Sabem como é que venci este medo? Simplesmente fazendo um enorme esforço para não pensar nele, sempre que atacava. A melhor maneira de combater um problema que foi criado exclusivamente pela nossa cabeça* é evitar pensar nele. E isto é uma arte. Saber sair do estado de matutanço é do mais importante que há, se não queremos ver-nos consumidos por constantes pensamentos negativos sobre alguma coisa.

Por isso, se alguma vez deres por ti com demasiado tempo para pensar sobre problemas de realidade duvidosa, pega na bicicleta e faz o paredão de Cascais. Se não for suficiente, envolve-te em alguma coisa que requira parte do teu tempo todas as semanas, ou todos os meses. Acho que é uma boa estratégia.

E se, POR ACASO, também tiveste este medo de não conseguir dormir quando eras criança, por favor comenta! Gostava de sentir que não sou o único que já passou por esta terrível experiência :)

*Não estou a entrar no campo das depressões ou doenças mentais propriamente ditas, sobre essas não tenho conhecimento nenhum

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What I've Learnt from the Fear of not Being Able to Fall Asleep


Psst: If you're the type of person who creates problems where they don't exist, you will want to read this post

There are a lot of people who panic if they can't fall asleep by night. They switch sides again and again, flip the pillow so as to get the fresh feeling on their face, but sleepness just won't come... The first 15 minutes are OK, but when one hour or so is spent without closing your eyes, then distress will come!

Ok, I might have overstated the number of people with a fear as this one (I obviously did so), but at least I had it when I was a child. And you have no idea if how big it grew.

Crisis Nights            
Basically, everytime I couldn't fall asleep, I would get an indescribable fear of not sleeping through the whole night. Was the fear rational? No! I would sometimes get off my bed, crying, and go to my parents to ask for their help in solving that "huge problem" I couldn't handle. Was the problem real? Not at all! 

We tried to find solutions for "The Problem", because there was no way I could wake my parents up everytime I had these crises (but I did), neither did I enjoy going through those moments of marked agony. So I started avoiding Coca-cola for dinner - the 10% percentage of caffeine could be the mais cause of my troubles.



How to Overcome This and Other "Problems"
Do you know how I beat this fear? I just did a tremendous effort not to think about it, when it manifested itself. The best way to fight a problem that was exclusively created by our own thoughts is to avoid thinking about it*. And that's an art. Knowing how to get out of a state of too much pondering is extremely important, if we don't want to see ourselves consumed by constant negative thoughts about something.
So, if you ever reach the conclusion that you have way too much time to think about problems you're not even sure that are real, then grab your bike and ride for as long as you need. If that's not enough, get involved in something that requires part of your time every week or month. I think that's a good strategy.

And if, BY CHANCE, you also had this fear of not being able to fall asleep when you were a child, please leave your comment! I would like to feel that I'm not the only one who has gone through this terrible experience :)

*I'm not speaking about depressions or other mental diseases, those I know nothing about

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

O que Tens Feito de Criativo Ultimamente?


A criatividade é espantosa. 



É o sal que falta ao pãozinho sem sal.
É pegar em duas batatas fritas e fazer uma sandes recheada de arroz
É o ingrediente que faz toda a gente perguntar "Hmmm, o que é que puseste aqui?"

(OK, chega de exempos alimentares)

É a diferença entre falar para uma multidão que quer ouvir o que tens para dizer, e fazer monólogos que ninguém quer ouvir.
É resolver um problema e ficares espantado com a maneira como o fizeste.

Porquê tentar ser criativo?
Tu e o mundo estão em constante mudança, e todos os dias aparecem novos problemas ou situações que requerem abordagens diferentes das passadas.
Por exemplo, quem é que ainda vai ao Blockbuster para alugar um filme por 2 ou 3 dias? Se a empresa não se tivesse adaptado à nova realidade da indústria a que pertence, teria sobrevivido?
E já agora, qual é o casal de namorados que gosta de fazer sempre o mesmo programa quando tem tempo para tal?
Um bocadinho de criatividade em qualquer uma das situações pode fazer toda a diferença.

O Mito do Momento Eureka
Existe a crença de que a criatividade e as grandes ideias aparecem num momento específico no horizonte temporal - o momento Eureka! É nesse momento, em que até podemos estar a tomar banho ou debruçados sobre outra tarefa qualquer, que tudo se torna claro nas nossas cabeças! Já estou a imaginar o Steve Jobs a lavar os dentes e a pensar: "Epá, mas se eu fizesse um aparelho chamado iPod, com um design interessante e uma plataforma de download de músicas inovadora, não tenho dúvidas que seria um enorme sucesso!". Parece-te realista este cenário? Pois, a mim também não.



Num artigo chamado "The 5 Myths of Innovation", li que a inovação (conceito que tem uma relação estreita com a criatividade) é constítuida por 5% de inspiração e 95% de transpiração. Ou seja, vais ter de bulir se queres ter boas ideias. Ou então fias-te na possibilidade - uma em vinte - de te ocorrer uma ideia espantosa de um momento para o outro. Se pensarmos na criatividade como um processo que começa num ponto e acaba noutro, somos capazes de adoptá-la com maior facilidade.

A Ana e o Jorge Ajudam-nos a Perceber Isto Tudo
Imaginemos que hoje é segunda-feira e o Jorge quer levar a Ana a sair na sexta-feira à noite. Ele tem duas hipóteses: ou começa já a pensar sobre onde a vai levar, procurando sítios diferentes daqueles onde a levou anteriormente, ou deixa esse assunto para "pensar depois" sobre ele. Qual a diferença entre os dois comportamentos? No primeiro, o Jorge aceita que para ser criativo, vai ter (a) de despender tempo para avaliar as opções que tem e (b) seleccionar aquela que achar melhor. Ou seja, o Jorge está a sistematizar o processo criativo. Já no segundo caso, a atitude é a de acreditar que no futuro se dará o tal momento eureka, e o sítio criativo onde ir com a Ana aparecerá de repente. Pode ser que sim, realmente. Mas, com maior probabilidade, pode ser que não.

Por isso pergunto outra vez: quando foi a última vez que fizeste alguma coisa de criativo?

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Creativity is amazing



It's the salt that's missing in any "bread with no salt" (portuguese expression)
It's grabbing two french fries and make a sandwinch with rice in the middle
It's the ingredient that makes everyone ask "Hmmm, what did you put here?

(OK, that's enough about the food examples)


It's the difference between speaking to a crowd which wants to hear what you've got to say, and making speeches which no one wants to hear
It's solving a problem and be amazed at the way how you did it

Why would I try to be creative?
You and the world are in constant change and everyday new problems or situations show up which require different approaches from previous ones. For example, who still goes to a Blockbuster retail store to rent a movie for two or three days? Had the company not adapted to its new industry reality, would it have survived?
And by the way, what couple likes to do the exact same thing when they're together? A little creativity in either situation can make the difference.

The Eureka Moment Myth
There's the common belief that creativity and big ideas appear in a specific moment of timeline - the Eureka moment! It's in that moment, in which we can be having a shower or doing anything else, that everything becomes clear in our heads! I'm already imagining Steve Jobs brushing his teeth and thinking: "Man, if I made a gadget called iPod, with an interesting design and an innovative music downloading platform, I'm sure it would be a huge success!". Does this scenario look realistic to you? Well, to me it doesn't as well.


In an article called "The 5 Myths of Innovation", I read that innovation (concept closely related to creativity) is built 5% on inspiration and 95% on perspiration. Which means that you'll have to work hard if you want to have good ideas. Or you rely on the possibility - one out of twenty - of an amazing idea showing up suddenly. If we think of creativity as a process which begins in one stage and ends at another, we might be able to adopt it easily.

Ana and George help us understand all of this
Let's imagine that today is monday and George wants to take Ana out on friday night. He has two possibilities: either he starts thinking about where he's taking her today, searching for different places from the ones where he took her previously, or he leaves that issue to think about later. What's the difference between the two behaviours? In the first one, George accepts that to be creative, he will have to (a) spend some time evaluating the options he has and (b) select the one he thinks is the best. So, George is systematizing the creative process. However, in the second case the attitude was one of believing that in the future the Eureka moment will happen, and the creative place where to go with Ana will suddenly show up in his mind. In fact, it might. However, with greater probability, it might not.

So, I'll ask you again: when was the last time you made something creative?