quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Gigante na Casa de Deus

Sou parecido com Santo Agostinho?
Qual de nós nunca sentiu na vida que alguma coisa estava mal e a precisar de reparo? Nunca te viste no caminho errado, em busca de um novo destino, mas sem saber muito bem a quem pedir direcções? Não houve uma única vez em que tivesses caído, e a vontade de te levantares e recomeçares era tão pouca, que ficares deitado(a) no chão frio te pareceu reconfortante e acolhedor? Acho que a todos nós isto já aconteceu em alguma altura das nossas vidas, e a história que hoje vos conto é a de um Santo que em nada se diferenciou de nós neste aspecto.

Santo pecador
Santo Agostinho nem sempre foi santo. Filho de pai pagão e mãe católica, Aurelius Augustinus nasce no ano de 354, em Tasgaste, no Norte de África. É nesta cidade que passa a sua infância, demonstrando, desde muito cedo, um enorme gosto por aprender e uma extraordinária inteligência. Aos 17 anos ruma em direcção a Cartago, cidade onde conclui os seus estudos mas perde o rumo da sua vida. Fazendo-se seguir de más companhias, o santo remete para segundo plano Deus e a Igreja, e tenta preencher a falta que Ele lhe faz com todos os prazeres que este mundo tinha para lhe oferecer. De uma das relações que teve, nasce um filho, Adeodado. Filho do seu pecado, como santo Agostinho lhe chama, sempre foi amado e tratado com carinho por seu pai, que não o abandonou nunca.

Conversão
A certa altura, exausto do ritmo desenfreado que levava na sua vida, Santo Agostinho propõe-se à conversão, procurando em Deus as respostas a tantas questões que lhe atormentavam a alma. É num momento de oração profunda, de êxtase espiritual, que o santo ouve uma voz falar dentro de si em nome de Deus, dizendo-lhe que deixe de vez de se apoiar em si mesmo, mas que se apoie antes em Deus, que é a Vida. Seguindo as pegadas da mãe do seu filho, que tinha sido chamada a seguir uma vida consagrada a Nosso Senhor, Santo Agostinho decide passar a viver o Sacerdócio, que lhe é conferido por Valério, bispo de Hipona, no ano de 391.




Sacerdócio
Enquanto sacerdote, Santo Agostinho foi inabalável na defesa da Igreja, admirando a todos com as suas palavras eloquentes e de sabedoria, fosse por intermédio da fala ou da escrita. Foi dos Santos que mais textos relacionados com a fé escreveu, como A Cidade de Deus ou As confissões, muitos deles ainda hoje objecto de estudo pela Igreja e motivo de rejúbilo para muitos Cristãos. Forjou uma doutrina sólida em tempos controversos, e contribuiu para a unidade universal da igreja. Um apaixonado por Deus, este santo dedicava muito do seu tempo a orar e a escrever livros, especialmente à noite; durante o dia aconselhava aqueles que a ele recorriam e presidia o seu ministério. Não havia refeição em que o santo não mandasse ler ou discutir um ponto de doutrina e não tolerava que se falasse mal dos ausentes; de tal forma, que no seu refeitório mandou imprimir as seguintes palavras: “Ninguém do ausente aqui murmure; antes, quem nisto se desmandar, procure levantar-se da mesa.”

Tido como um dos pais da Igreja e um dos Quatro Doutores do Ocidente, Santo Agostinho é sem dúvida um gigante desta casa de Deus a que chamamos Igreja, e um exemplo de como recomeçar pode acontecer a qualquer um, em qualquer altura e qualquer lugar, desde que seja em Deus.

texto in Partilha (revista das equipas de jovens de Nossa Senhora) - edição de Outubro de 2011

PS: o próximo post será dia 2 de Janeiro

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012